
Procuro-me.
Ando por aí, espalhada em gavetas, em caixas de papel, em diários dispersos.
Ando por aí, perdida nos quartos onde cheiro restos dum tempo que se fixou, imóvel, nos meus olhos, na pele.
Perco-me, por aí, por estradas e ruas que percorro, na fuga de mim própria, numa imitação de actividade e de urgência, para que não me quede em nada.
Finjo que me movo; dentro de mim, agitada, estou parada.
Páro a cada esquina da casa; onde cada foto conta uma história.
Disperso-me por entre projectos inacabados ou nem mesmo começados, apenas sonhados.
Refugio-me entre sons do dedilhar de guitarras, dum sopro de clarinete ou duma voz mais rouca.
Sigo, com os olhos perdidos, o rasto branco dos aviões que rasgam o céu amarelo do lusco-fusco.
Ainda, nos vejo, em cada um, cansados mas persistentes na busca duma brecha no destino.
Refugio-me nesse teu "Redondo Vocábulo", numa sala de espera..., nuns degraus de um quarto de danças, onde a fúria cresce, ... clamando vinganças.
Ando por aí, num tempo e espaço sem nome.
Parti-me em mil pedacinhos de dor e lágrimas que vou espalhando, dia a dia, por aí.
Nada mudou.
Vejo a distância separar-nos e eu tento resistir ao curso do tempo.
Não me empurrem.
Ainda é cedo para recolher dentro do coração toda a saudade e memórias que deixaste ... dispersas, por aqui.
Por isso, ando por aí, seguindo os teus passos, as tuas imagens tão nítidas.
Procuro-me, por aí.



