
Tudo parece desabar.
Novamente, o confronto com o desconhecido que não o é mais.
Para onde foste, que não te vejo?
Revejo paredes, revejo corredores, revejo janelas donde vejo o Porto com o rio ao fundo, revejo batas brancas, revejo sorrisos enternecidos, revejo o medo, revejo elevadores por onde subo e desço, revejo medo, revejo cansaço, revejo um telemóvel silencioso, revejo um rapazinho alto apoiado na mãe, revejo uma namorada que traz uma prenda de um ano de namoro, revejo uma cunhadinha que traz gelados feitos de água, revejo exaustão, revejo o silêncio nos olhares, revejo o teu abandono, revejo um marido/pai com os olhos baços, revejo incredulidade, revejo umas mãos esguias pousadas no lençol, revejo um sorriso tímido, revejo um piscar de olhos cúmplices, revejo lágrimas escondidas, revejo CDs por ouvir, revejo o medo, revejo um abraço da noite, revejo o teu relógio guardado na gaveta, revejo caras amigas, revejo um passeio em cadeira de rodas pelo corredor, revejo uns olhos não tristes mas cansados, revejo súplicas para que te deixem em paz, revejo um telefonema de revolta, revejo-me encostada às paredes, revejo uma mãe em que não me revejo, revejo escadas por onde subo e desço, revejo um soro a ser (finalmente) retirado, revejo as nossas mãos dadas, revejo-me quando me dizem que não falta muito, revejo os teus pijamas coloridos, revejo corredores e paredes de hospital, revejo batas e estetoscópios que entram e saem silenciosos, revejo um corpo frágil, revejo o nº24 na parede do teu quarto.
Revejo o teu sorriso.Sempre o sorriso.
Que foi contigo.
Tento rever o teu sorriso.
Porque não consigo?





