Fala-se de dias e dias que escorrem ... sem um filho que partiu! Fala-se à toa ... e escreve-se, sempre, para silenciar a saudade ou as lágrimas. À toa ...
O grito torna-se latente.
O suor.
Se aqui não regresso.
Às feridas abertas.
O amargo acumula-se surdo no mais fundo interior de mim.
E arde.
Se aqui não venho, sarar-me.
Há os outros ... lá fora.
Mas em mim nada mudou.
A saudade transborda, a névoa da ausência adensa-se.
Intensa, não abranda.
Dispersa-se nas entranhas dos meus poros, sedentos de um toque ou de um estender de mão.
Da tua mão.
Ou de um abraço.
A leveza, ainda que sempre passageira, ausentou-se de mim.
Os sonhos, ainda que simples, perderam-se no tempo em que eras.
Pareço diferente? Não sou ...
Mas há os outros ...
Sou a tua mesma mãe dorida e derrotada por uma luta vã.
Ainda em luto, aconchego o fingir, dentro de mim.
Como se natural.
Desdobro-me em duas.
Como se natural.
Fosse o reverso da vida.
"Começou a desligar-se das coisas e dos homens. Olhava o jovem vaqueiro no rio e sabia que apenas podia admirá-lo, em seus gestos ..., mas não aproximar-se. Assim com a rapariga que, da árvore, colhia cerejas. Como se o ar formasse um muro diante de si. Então fixou a água, que a seus pés corria, e a água já não reflectia a sua própria imagem."
Sejam bem vindos a
mais um jazz faz tarde e é, com prazer, que anuncio que esta é a primeira
semana dedicada exclusivamente ao jazz português.
Desde o inicio da rubrica que fomos convidando
músicos portugueses mas esta semana é-lhes dedicada única e exclusivamente.
Hoje, vamos falar sobre um pianista nascido em Lisboa
no ano de 1970, chamado Bernardo Sassetti. Bernardo começou a estudar piano
clássico aos 9 anos com Maria Fernanda Costa e, a partir daí, dedicou-se apenas
ao jazz. Aos 18 anos, começou a tocar profissionalmente com grupos portugueses.
Desde então, Sassetti já tocou um pouco por todo o mundo com outros músicos bem
conhecidos como Paquito D’Rivera, Freddie Hubbard, Benny Golson, entre outros ...
(eles são tantos que, mais tarde, vo-los apresentarei com tempo)
Além do jazz, Bernardo também compõe música
para filmes.
O tema que vamos escutar hoje chama-se “Passado Presente” e faz
parte do disco “Passagem” do saxofonista Carlos Martins.
Esta não será a primeira e última vez que o piano de Bernardo vem ao jazz faz tarde portanto fiquem atentos.