Aqui.
O Vazio que me envolve não tem consolação.
A Dor invisível, que arrasto comigo, tem um longo som pungente de clarinete a solo.
O Olhar com que me olhas não basta para serenar este coração que não se rende.
A Saudade está debruçada no meu ombro; afago-a de vez em quando para que se mantenha mansa.
Os Dias sempre iguais, sempre iguais,...
E eu, aqui, vou-me despedindo, novamente,... nada será igual, quando voltar.
E eu, aqui, procuro os registos da memória desse tempo de alvoroço verde e olhos, ainda, brilhantes.
E eu, aqui, ouço as músicas escolhidas para te acompanharem durante a longa ausência que nos espera.
"Lembra-me um sonho lindo, quase acabado; ... estoira no peito um grito à desfilada..."
Voltaremos inesperadamente, eu sei, e será já como se a ausência se prolongasse longamente, por essa porta entreaberta que já não se fecha.
E nos aguarda.
Amanhã, vou partir. Moledo aguarda-nos; levamos as mãos vazias e as malas plenas de desilusão só porque, em tempos, nos atrevemos a ter ilusões.
E eu, aqui, sei que repetiria tudo o que teve que ser.
Não apagaria um único traço do trajecto percorrido.
Voltaria a atrever-me.
Voltaria a não me render.
Porque é a única forma de viver.
Sinto uma aridez que me toma
Sempre que tomo a caneta na mão
Trágica e final é como ela se faz constar.
É por quem se toma!
E, assim, no dia em que tudo se for
Parte com a dor
Que existe
Entre a esperança e o amor.
Porque há tanto e tão pouco
Que me deixa quase louco...
David Sobral






