
Em Paris, uma greve de taxistas.
O David cansado, a arrastar-se atrás...devagarinho, devagarinho.
Mas não triste! Apenas mais sonolento, apenas mais lento, apenas mais sobre si...
Conversava, de vez em quando, ...
Limitava-se a seguir-nos, devagarinho, cada vez mais devagarinho...
Pedia, de vez em quando, para pararmos, para se encostar um pouco ou aninhar-se porque os joelhos estavam cansados.
É assim que o vejo.
Não me vejo a pensar, só ando ou páro ou o ajudo.
Sem táxi, restavam os transportes públicos.
O hotel era próximo da paragem do autocarro.
Mais um esforço. Mais cansaço.
Descanso por um bocadinho.
Uma refeição improvisada no bar do hotel.
Fim da greve.
Ida de táxi para o hospital Paul Brousse.
Sala de espera, sala de espera, sala de espera.
Chamam-nos.
Avançamos. Avançamos determinados, sem cansaço, agora
O David estende a mão ao Prof. Machôver. Um sorriso retribuído.
O prof. Machôver reconhece o David.
"Alors, David, comment tu vas?" "Très bien, merci."
O David olha para mim e para o Manel, um de cada lado.
Estamos aqui. Contigo, com a tua força.
Sorrimos uns para os outros.
O prof. vê exames, PETs, TACs,...
Recomenda um tratamento...ligeiramente diferente.
É preciso um compasso de espera para que o fígado recupere.
Receita uma dose mais elevada para algumas dores de que o David ainda se queixa (a mim, não a ele).
Diz que não há vantagem nenhuma em ter dores.
Completamente desnecessário...
Diz que vai correr bem.
O David sorri e conversam de outras coisas.
Música, cinema...sobretudo jazz.
O David levou um CD do Bernardo Sassetti.
Oferece-o ao prof. que lhe pergunta como, sendo tão jovem, revela tanta cultura musical e cinematográfica.
O David responde, indicando o Manel.
"É ele o responsável", diz.
Conversa-se mais um bocadinho.
Saímos, temos a alma mais leve.
Paris, um restaurante escolhido pelo David.
Leva a página da net para mostrar ao taxista, que nos deixa à porta.
Moules... Mais moules.
Comeu bem. Soube-lhe bem. Estamos bem.
Hotel.
Dormir. Dormir, sempre.
Mas o pêndulo conta o tempo.
Podíamos dormir, para sempre...
Temos que regressar...
Para que nos dêem um pouco mais de tempo.
A eternidade, se possível!
Lado a lado...







