04 agosto 2011

Agosto!
Todos os dias são lembranças de momentos que passámos em fuga!
Quem me dera, agora, poder fugir de mim.


Jardins d'el Teatre Grec - Barcelona



A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.

A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.



Sophia de Mello Breyner Andresen

1 comentário:

BRANCAMAR disse...

Olá Isabel,

Tao lindo, pintura, poesia, tudo...

Sophia era uma mulher que sabia muito da vida. Lindo é também o seu estado de alma ainda que triste, porque é um estado de amor permanente e quando as pessoas que amamos partem ficam ainda mais vivas em nós.
Hoje foge-se muito do que não é lindo, alegre e vive-se aturdido em mentiras e a vida é todo um conjunto de que não podemos nem devemos fugir.

Um abraço de força para toda a sua coragem de um tempo que é ainda tão curto.

Beijos