26 dezembro 2013

Palavras do meu silêncio


"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."

Clarice Lispector




03 dezembro 2013

Fria claridade!



Porque é dezembro.
Porque o tempo passa e nós não ...
Porque as marés vão e voltam.
E tu não ...
Porque não há longos abraços entre nós.
Porque ao teu redor, sempre música.
A força da luz feita para a música.

Agora, não ...
A música é pranto da tua ausência.

E, no entanto, não quero viver sem esta dor!
Não sei.





19 novembro 2013

Chaque jour ... David


Volta não volta
Y'a quelque chose de la vie
Dans tes yeux qui rient

Quase volta 
Quase sempre
Juste un regard pour comprendre

Uma volta que não acaba
Y'a quelque chose du bonheur
Dans ta voix qui vibre

Uma volta que não volta
Y'a quelque chose d'universel
Dans notre histoire

Num rodopio à volta dos teus sons
Volto sempre
Est-ce que tu veux partager mon chemin ?
Moi j'dis oui pour le tien





01 novembro 2013

É com o coração que falo ...















Alice, bisavó dos meus netos, minha mãe.
Um filme chamado Alice.
E o David que tecia os dias com música, luz, filmes e afectos.
Um sorriso meigo em comum.
Que guardo por dentro da pele ...




30 outubro 2013

Filho e mãe ... abraços de Outono


Fonte

No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e os órgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo. São
silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos, porque
os filhos estão como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudeza de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo
e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor.

Edgar Lee Masters