27 abril 2016

Parabéns, meu filho.















Hoje, entrei no dia, sabendo, desde o sono, que era o tal. 
Um dia antigo, feito de estrelas brilhantes.
Um dia, agora, desfeito em lodo escuro e fundo.
Entrei como animal ferido e febril que só um abraço do sal do mar poderia sarar.
Percorri-o timidamente, numa forma de equilíbrio frágil, não fosse desmoronar-me em lágrimas.
Dividi as horas em silêncios longos, não fossem as palavras trair esta dor tão difícil de carregar.
Esta tão distância de ti, insuportável.
 Esta saudade longa de quando te peguei ao primeiro colo.
Até (incrédula) de quando me aninhei, em fuga de mim própria, no teu colo, último.
O dia entrou em mim num vagaroso lamento, perturbado só pelo latejar da dor nas pálpebras.
Pela pedra na boca do estômago.
Desolado e desolador.
Invisível, do lado onde o sol nasce imperturbavelmente radiante.
Hoje, só eu, perante a vertigem e a leveza das marcas dos teus pés descalços no areal da vida.

Perante ti e para sempre, parabéns, meu filho!

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