15 agosto 2011

Eu tenho sempre saudades.

Procuro não pensar no tempo.
A passagem dos dias ... dos anos torna-se pesada.
Em férias, à volta da mesa de amigos que se juntam, é comum começar a reviver episódios antigos.
Começa então "Foi em que ano? Antes de 200...? Nessa altura, ainda ..." e mal começo a sentir a aproximação de 2005 é como se uma barreira se interpusesse entre mim e os outros; entre mim e o meu passado.
2005 é o meu limite temporal, sem dor ao recordar.
A partir daí, bloqueio ...
Levanto-me.
Vou arejar.
Fumar um cigarro.
Limpar os olhos.
Respirar.
Olhar para aquela fotografia que, do parapeito da minha janela, olha para o monte.
Um outro monte, visto com outros olhos, sentido sem amargura.
Eu tenho sempre tantas saudades!

                                                                                 Barcelona - Agosto 2007

Espero que as conversas avancem.
Para dias inofensivos.
Para assuntos corre-corre.
A praia, o vento norte, as multas do piquenique, projectos de Inverno.
Ou então ...
Ouço o meu neto, mergulho nos olhos dele e deixo-me guiar.
Sem dor.


6 comentários:

Ana Cristina disse...

Não sei dizer de outra maneira - eu também tenho sempre muitas saudades, muitas!
Bjis da Nini.

BRANCAMAR disse...

Gostei de a ler mais uma vez Isabel. Nem sempre os outros entendem o que é ser mãe, mesmo as mães que são diferentes. Acham sempre que somos muito agarrados aos filhos ou muito protectores, mas a vida voa e todos os momentos bons que podemos proporcionar -lhes enquanto eles quiserem é o que nos fica e a eles também.
É dessa cumplicidade com o David que se faz hoje grande parte da sua vida. E se a não tivesse tido? Se não tivesse deixado tudo e acompanhado o David com toda a sua força? Seria bem mais triste o recordar. Por isso Isabel, apesar de tudo, deve sentir-se uma mulher "rica", rica de afectos e uma vivência maternal intensa que de certeza encheu o David de ternura e de felicidade.

Beijos para si.
Branca

Irene Alves disse...

Não é possível eu "sentir" o que
a Isabel sente...isso é completamente impossível...mas sinto uma tremenda admiração por si, e venho aqui muita vez em silêncio e nada digo.
Há palavras que não se conseguem
dizer...ou por vezes não há palavras para certas situações.
A sua coragem é a força dominadora.
Um grande beijinho

Irene Alves disse...

Não é possível eu "sentir" o que
a Isabel sente...isso é completamente impossível...mas sinto uma tremenda admiração por si, e venho aqui muita vez em silêncio e nada digo.
Há palavras que não se conseguem
dizer...ou por vezes não há palavras para certas situações.
A sua coragem é a força dominadora.
Um grande beijinho

Filipa Rebola disse...

Nao a conheço, mas gostava muito...acompanhei apaixonadamente o seu testemunho na televisao! E chorei tanto, mas tanto que me dói ainda....depois resolvi pesquisar mais sobre si...nao esta sozinha, acredite! Tambem eu lido diariamente com uma familia que perdeu um filho...nao sou mae ainda, nao consigo sentir a profundidade dessa dor! Mas ás vezes um abraço mesmo de um desconhecido é tao reconfortante que aquece a alma...Tambem eu tenho um blog, tambem eu falo sobre a perda, tambem eu choro de saudade....mas a vida é tao linda, tao cheia de sorrisos, de mares, de arco-iris...e o seu filho, ésta em tudo isso, e estrá sempre consigo....CORAGEM! Um abraco enorme

Isabel Venâncio disse...

Olá, Filipa.
Obrigada pelo seu abraço e pelas suas palavras simpáticas. Sabe, ... o tempo para falar do meu filho é sempre curto! Demasiado curto para as saudades que tenho dele.
Por isso, também, aceitei ir à TVI. Aproveito todas as oportunidades que me surgem para poder relembrar a coragem do David.
Claro que nunca poderia em tão pouco tempo, contar tudo o que conto no livro ... mas, por outro lado, muita gente o viu nas fotografias que passaram.
E vão vendo, neste blog.
Não me disse qual era o seu blog; gostava de o visitar.
Um beijo
Isabel