24 julho 2011

Não fujo da saudade. Não quero.


Um pulinho ao Alentejo, para ver os amigos, para cheirar a planície.
Vivi parte da minha meninice no Alentejo, em Ourique.
Gosto do tom dourado dos montes, gosto da sombra dos chaparros, gosto da comida.
O David adorava tudo isto.
Também ele gostava do cheiro dos coentros e dos poejos na comida; enchia os olhos com a luz da charneca.

O regresso é pesado; mais triste, de cada vez que lá vou.
Os olhos disparam por sobre o horizonte, para lá dos cumes dos sobreiros.
Não procuram nada ... adormecem num tempo que passou.
É a ausência dele que me espera nesta casa.

Persigo vidas e dias com mais sentido.
Mas a saudade é tanta!
O vazio que pousa na minha mão estendida, à chegada, não é macio.
As mãos do meu filho eram macias.
E eu tenho saudades das mãos dele.
Meigas, esguias e macias.




1 comentário:

BRANCAMAR disse...

"Meigas, esguias e macias", é uma bela recordação Isabel, uma presença no silêncio dos dias, mas menos pesada do que se tivesse um significado contrário.

Beijinhos para si.
Branca