18 outubro 2010

O sol brilhava

E o sol teima em brilhar, neste dia, tal como brilhou quando te foste.

É, sobretudo, de um quarto cheio de sol que me lembro.
Um sol teimoso.
Um quarto claro.
Uns olhos fechados.
Uma figura esguia, comprida e franzina, adormecida, com a face esquerda encostada à almofada.

Umas grades que eu tentava, desesperada, baixar.
Para te prender a mim.
Para me segurar a ti, meu David "O BOM".
E me levares.
A tua mão na minha; subitamente mais abandonada.
Várias mãos na tua.

E, hoje, sempre, as mesmas lágrimas que a saudade não seca.

Não me queixo das lágrimas.
Não ligues.
Deixa-me, chorar um bocadinho.
E ouvir-te ...


Crescer


O meu espírito cresceu
Cresceu tanto que o meu corpo acendeu
Vejo agora ideias que nunca tinha visto
E vou idealizar as ideias que quero ideais
Organizar o pensamento para obter sempre, sempre mais
Já não me importa o que existe lá fora
Nunca me senti mais exacto do que quero agora



Quero crescer, crescer, crescer mais
Até um dia saber
Qual a minha razão de viver.

David Sobral 1995

5 comentários:

manuela baptista disse...

na exactidão conquistada

tem David, O BOM!

a altura de um crescimento maior
a razão
das irrazoáveis vidas

sempre mais

um beijo, Isabel

manuela

Pé de Salsa disse...

Isabel,

Passo por aqui diariamente, leio-a, relembro outros momentos e não encontro palavras de consolo que lhe possa deixar.
E será que existem?

Um beijo para si.
Isa

Ana Cristina disse...

David

Deixa que nos corram as lágrimas por um bocadinho.

Em Moledo, na praia, tudo estava tranquilo,luminoso e perfeito.

Apetecia ficar lá, junto da tua rochinha, apenas a descansar.

Bjis da Nini que te adora.

BRANCAMAR disse...

Passo, deixando apenas um abraço, na esperança de que ele possa aquecer esta última semana de Outubro.

Gostei do David aqui sereno e do seu poema.
Obrigada pela partilha do que de belo ele escrevia.

Beijos
Branca

Anónimo disse...

"Se conhecesses o mistério imenso
do Céu onde eu agora vivo,
este horizonte sem fim,
esta luz que tudo reveste e penetra,
não chorarias, se me amas!
...Estou já absorvido no encanto de Deus
na sua infindável beleza.
Permanece em mim o teu amor,
uma enorme ternura
que nem tu consegues imaginar.
Vivo numa alegria puríssima.
Nas angústias do tempo
pensa nesta casa
onde um dia
estaremos reunidos para além da
morte,
matando a sede
na fonte inesgotável da alegria
e do amor infinito.
Não chores,
se verdadeiramente me amas!"

S. Agostinho

MM, um beijo