04 agosto 2010

Moledo

Ando um pouco estonteada.

Sinto-me zonza.

Em precário equilíbrio.

Trago um quebranto antigo no arrastar das pernas.

Um torpor no lugar do coração.

Um cansaço lento no descerrar das pálpebras junto à brisa do mar.

Moledo, Barcelona!

Locais unidos por águas do mar.

Pelas lágrimas escondidas no seu contemplar.

...

Ventos de Barcelona, sinto-os, próximos; zumbem perto dos meus ouvidos.

O mesmo mês.

É o mesmo calor; aqui, menos abrasador.

Mais sufocante na saudade.

Mais arrasador no desgaste das últimas forças.

Inadiável, no ter de dizer adeus.

...

Porque … é sempre de saudade que se trata.

Falta-me a força que, sempre, tive para me rodear de entusiasmos e se me esmoreceu nas veias.

Em que poço fundo se perdeu a alegria que trazia guardada dentro do olhar?

Saudade das minhas flores, dos meus arbustos? Acho que já não; não aquela urgência imperiosa de me debruçar … cansaram-se de me esperar.

Saudades de mim?

Claro que são. São saudades de mim ... Também se trata de mim ...

Mas são muitas, sempre muitas e cada vez mais indomáveis ... as saudades do tempo em que estavas comigo.

Que força impensável nos estilhaçou?



Mário Delgado

O convidado de hoje do jazz faz tarde chama-se Mário Delgado é guitarrista e é português.

Mário nasceu em 1962 e iniciou os seus estudos na escola do Hot Club de Portugal e teve como professores o contrabaixista José Eduardo e também com David Gausden.

Delgado estudou também guitarra clássica com José Peixoto e, paralelamente, fez parte de grupos com Carlos Martins, Maria João e Carlos Barretto, entre outros...

É o Mário Delgado quem toca no novo disco da Maria João e do Mário Laginha que se chama “Undercovers”.

Mário participou em seminários com: Bill Frisell, Joe Lovano, Gary Burton e muitos outros músicos.

Agora vamos ouvir um dos temas do seu disco “Filactera” e o tema chama-se “...”

Até logo...

A LUZ

3 comentários:

Jaime Latino Ferreira disse...

A IMPENSÁVEL FORÇA


A impensável força que nos estilhaça
tem o imprevisível condão
de fazer renascer aquilo que sobra

E nunca é o mesmo ano
e nunca é o mesmo mês
e nunca é o mesmo dia
nem a mesma hora
e o que fica é tudo
com o que se foi embora


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 4 de Agosto de 2010

sinfonia disse...

De novo consigo em palavras,
mas estou muita vez consigo em
pensamento.
Subscrevo o que escreveu Jaime
Latino Ferreira, mas palavras
não é tão forte como a dor que
se sente.
Só lhe posso dar(por este meio)
um beijo
Irene

manuela baptista disse...

Isabel

ontem o Miguel fez anos!

não me esqueci...

e não me esqueço dos meninos da sua vida

não houve história, não

afinal já são tantas as que lhes escrevi

que um e outro

cada um à sua maneira

sabê-las-ão de cor!

o tempo tem destas coisas

um beijo

manuela