30 novembro 2009

Moto contínuo



Como dizer, sem dizer a ninguém, que estou triste?
Como fazer para manter o silêncio, o único que me faz não chorar?
Como desfazer o nó que me aperta a garganta?
E esta vontade de ficar enrolada até que o Natal passe.
Até que o ano acabe e outro comece, ...
Mesmo que nada comece.
Mesmo que nada acabe.
E o tempo e o sol e a lua e os dias e as noites se vão sucedendo, na orla de um nevoeiro inquieto, monótono e cinzento, ao ritmo do bater do meu coração e nunca mais pelos ponteiros dos relógios que costumam comandar as vidas.
Sim, é de tristeza, da saudade que falo.
Uma saudade, de que só agora vou conhecendo o verdadeiro significado.
Uma saudade que me rasga em pedaços e me esvazia de força.
Como dizer, sem que ninguém me ouça, que estou dorida de saudade?

8 comentários:

Silenciosamente ouvindo... disse...

Tem que "aguentar"...ser ainda
mais forte nesta quadra de Natal...
eu sei que é muito difícil, a minha
mãe morreu numa noite de Natal,
pelas 22h. e estávamos todos
à espera de uma boa noite de Natal,
e num ápice tudo mudou(foi fulminante...)Todos os anos nessa
noite, a essa hora, nós sentimos
de novo TUDO...e o Natal para nós
deixou de ser igual ao que tinha
sido até aí, mas continuamos unidos,e ela (a ausente) ainda é
o elo que nos liga e que faz estar
sempre solidários em tudo o que
nos vai acontecendo.Hoje fui ao
funeral da maior amiga de minha
mãe, mas UMA VERDADEIRA AMIGA,
e estando com a sua filha, (penso)
que consegui sentir a dor que ela
estava sentindo, porque eu já a
tinha sentido.O padre disse umas
palavras(que a acreditar nelas) nos
iremos de novo encontrar...
Pois é, só lhe peço para ter se
possível um pouco mais de força,
por si e pelos outros que estão à
sua volta.
Um beijinho

Jaime Latino Ferreira disse...

O QUE DIZER


O que dizer
do que se diga por aqui
que é um silêncio sim
mas que se faz voz
que a ninguém é dito
mesmo se a todos nós
que aos nós os desfaz
mesmo se nos apertam
o que dizer assim
sem que ninguém o oiça
que é saudade
tristeza que me dizes a mim

O que dizer se escreves ao que vim


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 30 de Novembro de 2009

manuela baptista disse...

As Saudades Eram Muitas

Tantas, que às vezes já não cabiam umas ao lado das outras!

Então, a maior das saudades, a Saudade, resolveu separá-las e ordená-las.

Para um lado, as levezinhas, por exemplo: saudades de bolo de laranja.

Para outro, as que se podiam aguentar: saudades de alguém que está longe mas sabemos que regressa em paz, saudades de um país distante que estamos certos de rever, saudades de uma infância feliz.

E para um terceiro, as saudades grandes, aquelas que se vestem de tristeza e dor

as que trazem o nevoeiro
e a noite escura
o medo
o choro
o infindável sentimento de abandono
de ferida aberta
sem bálsamo nem pano de linho para segurar.

E estas saudades não ficaram quietas, dessarrumaram-se
rebelaram-se
espalharam-se
dizendo:

mas que Saudade é esta
que nos coloca etiquetas e preço
que se formou e criou apenas na cabeça das pessoas arrumadas
que da saudade nada sabem?

porque
se trazemos o nevoeiro e a noite escura

já vivemos a luz e o sol radioso

se fazemos medo
já conhecemos a coragem
e fomos temerosos

se emprestamos choro
é porque já sorrimos

se abandonamos
é porque possuímos

se abrimos feridas
é porque muito amámos!

Têm razão! - disse a maior das Saudades - se eu respondesse a todas estas perguntas

se eu desfizesse os nós que me apertam a garganta
se eu desenrolasse o que enrolei

eu não era eu
e não me lembraria de nada.

...

Isabel

as saudades são muitas, por isso devem ser divididas com os que a amam

mesmo sendo Natal
e apenas oiça falar de luz

um beijo

Manuela Baptista

Brancamar disse...

"Uma saudade que me rasga em pedaços e me esvazia de força."

Como dizer?

Não precisa, os seus olhos dizem-no, a sua dignidade na dor imensa que é perder um filho. Eu vi o seu olhar uma vez Isabel e nunca mais o esqueci, não sei explicar o respeito imenso e a comoção que ainda hoje, agora mesmo me provoca o seu olhar.

Deixo um beijo imenso porque como mãe já senti tantas vezes como o coração se nos congela quando perdemos um filho na multidão, como diz o cartaz, não imagino como será perdê-lo mesmo..., mas deve também pensar que é tão angustiante para algumas mães verem os seus filhos sofrerem para toda a vida.
O David está em paz e isso deve consolá-la.
Beijinhos ternos
Branca

António disse...

Estamos aqui para escutá-la,Isabel.A sua Dor a todos nos tocou...

Jaime Latino Ferreira disse...

ISABEL VENÂNCIO


Querida Amiga,

Serve a minha presente nota para Lhe falar do futuro, do pedido que me fez na caixa de comentários do meu blogue e que se prende com o Seu neto, o Miguel:

Para Lhe dizer que acabámos de enviar por correio postal as partituras que nos solicitou ...

Oxalá sejam do Seu agrado!

Um beijinho

( David, graças a Deus, desculpa-me o mau jeito (!), a tua mãe não pensa só em ti e fazes-me o favor de não fazeres uma cena de ciúmes! )


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 9 de Dezembro de 2009

Ana Cristina disse...

Vamos ter música tocada ao "piano" em casa da venância.

Bjis.

Nini

manuela baptista disse...

...já compraram algodão???

Manuela