11 outubro 2009

Um pinheiro que envelhece



Ando demasiado sufocada pelas lembranças de Outubro.
Pelas páginas dum diário, quase livro, que se vai encerrar.
Que é preciso encerrar.
Para que outros leiam e descubram que se pode ser um bocadinho feliz, mesmo à beira do abismo.
Para que o David se torne um dos "que se vão da lei da morte libertando".
Estamos novamente em Outubro e tudo é demasiado.
Em demasia, a lonjura do tempo que não parou.
Em demasia, o sol que torna tão brilhantes os dias e os que os habitam.
Em demasia, o peso que transporto
... mas não quero largar.
Em demasia, a saudade que se alonga, lenta e lancinante
... qual raiz de pinheiro que se entranha na terra...



Ao Jaime, à Manuela, ao António, à Branca, ao João, à Paula, à Eunice, à Marina
... a todos os que não conheço, conhecendo-os, no entanto, duma outra forma - um abraço de gratidão
por me lerem,
por me fazerem sorrir,
por não quererem que vá "por ali"
por me mostrarem outras formas de ver o mundo,
por não me criticarem,
por serem pacientes
e me ouvirem até à exaustão
falar do David!

5 comentários:

Anónimo disse...

Isabel

Estou aqui, consigo.
Perto do seu sofrer e da sua saudade.
Um abraço é só o que lhe posso oferecer.

João

Jaime Latino Ferreira disse...

ISABEL VENÂNCIO


Uma vez mais,


Obrigado o meu pelo Seu reconhecimento

Obrigado o meu por no Seu lamento
encontrar o meu alento

O meu

O Seu

A vontade do que invento

No meu escrever

Que é meu sustento


Um beijinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 12 de Outubro de 2009

Brancamar disse...

Cheguei hoje aqui. Como alguém dizia ainda ontem num comentário, tenho andado um pouco mais pálida, mas aporto sempre a esta praia para aprender.
Ouvi-la falar do David é também saber que estamos todos na efemeriddae da vida, é apesar de tudo ter esperança no futuro pelo jovem brilhante que o David foi e que porventura tocou na vida de tantos outros jovens que passaram por ele. Eu sou testemunha do seu enorme talento, quando há cerca de um ano ouvi deliciada a recriação feita por ele de "Grândola Vila Morena", fiquei para sempre presa àquela noite, àquele espectáculo dos Drunmming numa justa homenagem ao David.
E nunca venho aqui para ser simplesmente paciente, venho para saber de si, para aprender mais, porque tem sido muito forte, porque todos sabemos que nada é mais pesado que perder um filho, mas pior que perdê-lo talvez seja vê-lo sofrer dia após dia e de certeza que a Isabel não queria isso.
Estamos aqui sempre.
Beijinho

António disse...

Grato eu Isabel pela partilha de momentos confessionais tão pungentes e belos...

António disse...

Vim aqui novamente olhar para esta foto tão pungente mas tão bela do seu querido David.Cada um de nós vê a vida a seu modo.Eu acredito na Eternidade.Acredito que o seu David algures permanece vivo e presente.E de algo estou absolutamente convicto: O David é uma alma superior...