11 dezembro 2008

Mãos e luz


Algarve/2007

Luz.
As mãos do David
aqui
tão próximas das minhas.
Como se tivesse sido ontem.
E fosse acontecer, de novo, amanhã.
Mas não...



Desprende-te, coração

..........................

E que testemunha afinal teu coração?
Entre ontem e amanhã balança,
silencioso e estranho,
e o seu bater
é já a sua queda para fora do tempo.

Ingeborg Bachmann

3 comentários:

Ana Cristina disse...

Tenho andado a pensar e acho que preciso de planear uma viagem,que não seja ao passado,mas antes a uma cidade de luz, som e gente que me transporte para longe e me faça regressar com energias renovadas.


O David vai estar sempre aqui com o olhar doce e calmo, com as mãos meigas e quentes, com toda a vida na tua memória e no teu coração.

Tens de te perder mais nos olhos do teu neto e contar histórias do amigo que percorre os mares nas costas da baleia.

1 beijinho.
Nini.

jaime latino ferreira disse...

LUZ

Luzqueilumina
oaltardastuasmãos
nãoesperadesprender
ocoraçãoainão

Jaime Latino Ferreira
Estoril, 11 de Dezembro de 2008

Anónimo disse...

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados.
Para chorar e fazer chorar.
Para enterrar os nossos mortos
—Por isso temos braços longos para os adeuses.
Mãos para colher o que foi dado.
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer.
Uma estrela a se apagar na treva.
Um caminho entre dois túmulos
—Por isso precisamos velar.
Falar baixo, pisar leve, ver a noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço.
Um verso, talvez de amor.
Uma prece por quem se vai
—Mas que essa hora não esqueça.
E por ela os nossos corações.
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre.
Para a participação da poesia.
Para ver a face da morte
—De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem;
da morte, apenas..
Nascemos, imensamente.

Vinicius de Moraes
Um bjs, MM