24 setembro 2008

Um certo tom de voz



É , talvez, a segunda vez que me dirijo a alguém, nesta Casa que ostenta o meu nome.
Na porta desta casa virtual, está, virtualmente, escrito "Todos são bem-vindos."
E são!
Mas, hoje, dirijo-me à Manuela Baptista.
Queria dizer que só a conheço de vista, por fotografia, e pelas mensagens curtas que me manda.
Hoje, alongou-se um pouco mais e fez bem.


Porque gostei do que escreveu.
Porque não me diz que vai passar; percebeu que isso não acontecerá.
Porque sabe que esta minha dor é única e minha.
Porque não me diz que tenha fé; percebeu que não tenho.
Porque me diz aquilo que digo a mim própria.
Porque descobriu que sou capaz de continuar a viver e a dedicar-me a outros e outras coisas.
Porque viu que trarei sempre o meu rapazinho comigo.
Porque sabe que preciso de continuar a chorar.
Porque sabe que a saudade não vai passar.
Porque percebeu que é este o meu caminho.
Porque viu que nesse caminho a percorrer, tenho por companhia a coragem e o sorriso do David.


Porque me escreveu como se me falasse; com voz serena e pausada.
Sem demonstrar pena, comiseração ou culpa por existir ...
Nunca lhe ouvi a voz.
Mas foi assim que a imaginei.
Obrigada
Isabel

2 comentários:

Anónimo disse...

Isabel,tem toda a razão.Independentemente do modo como cada um de nós veja a Vida,a sua Dor é única e incomensurável.Senti-la como deseja é o Caminho que escolheu,tendo por companhia a coragem e o sorriso do seu amado David.Que ele seja o menos penoso possivel.Até sempre.António

Anónimo disse...

Eu sei bem que essa dor não passa agora, nem nunca...

A cada dia que passa a saudade aumenta e a dor também...

Assim como as perguntas que colocamos inumeras vezes... Porquê a mim? Onde é que eu errei? O que irei eu aprender com tudo isto?

São perguntas para as quais nunca vamos ter respostas...

Também eu perdi uma filha e sei bem o quanto dói... O quanto custa, o quanto nos sentimos incompletas porque nos falta sempre alguma coisa...

Um grande beijo

Ana