30 setembro 2008



INCENSO


Que deixem os meus olhos de chorar

Que não me esqueço

Nem a memória

Me atraiçoa do anverso

Por não se esquecer de voltar

De olhar

E cresce numa estória

Mesmo se não a contar

Devagar

Com a calma do andar

Porque eu lhe peço

Que mesmo no silêncio

Como incenso

Nunca pare de cantar

-.-

Incenso ou manifestação de louvor ou homenagem, substância queimada em sacrifício, acto de acender, dar, produzir luz.

-.-

Jaime Latino Ferreira
Estoril, 30 de Setembro de 2008


...

E que eu sinta neste Azul intenso

A imensidão do teu olhar

MB


O olhar do David era intenso, cristalino e transparente como a água azul do mar que rodeava Creta, o berço de Zeus.
.......
E, assim, se encerra mais um capítulo da nossa viagem de 18 meses... donde só eu regressei.
Só.
Amanhã, começa Outubro,...mês de lágrimas, mês de desesperança, mês de sol a despedir-se, mês de abraços fingidamente não desesperados, mês de sorrisos feitos de medos, mês da terra do "nunca mais", mês do país do "faz de conta"...
mês de projectos, para sempre, adiados
mês do meu enlouquecer
mês dum sono sem retorno
mês de
"Mamã, vamos dançar?"

10 comentários:

Anónimo disse...

Hoje só passo para lhe dar um beijinho, mesmo que virtual, mas que espero que o sinta GRANDE e afectuoso.
Sinta, a minha mão no seu Coração. Só numa tentativa de atenuar.....mesmo que não passe de uma tentativa! Estamos cá, a lê-la, a senti-la, a partilhar a sua dôr.
Não está só, acredite. Estamos por aqui.
MM

Anónimo disse...

Só mais uma coisa....ao ver a foto da Isabel e do davia a dormirem, só me lembrei desta oração....

"Uma noite eu tive um sonho.
Sonhei que estava andando na praia com o Senhor
e através do Céu, passavam cenas da minha vida.
Para cada cena que se passava, percebi que eram deixados
dois pares de pegadas na areia;
Um era meu e o outro do Senhor.
Quando a última cena da minha vida passou
Diante de nós, olhei para trás, para as pegadas na areia e notei que muitas vezes, no caminho da
Minha vida havia apenas um par de pegadas na areia.

Notei também, que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiosos do meu viver.

Isso entristeceu-me deveras, e perguntei então ao Senhor.
"- Senhor, Tu me disseste que, uma vez
que eu resolvi Te seguir, Tu andarias sempre
comigo, todo o caminho mas, notei que
durante as maiores atribulações do meu viver
havia na areia dos caminhos da vida,
apenas um par de pegadas. Não compreendo
porque nas horas que mais necessitava de Ti,
Tu me deixaste."

O Senhor me respondeu:
"- Meu precioso filho. Eu te amo e
jamais te deixaria nas horas da tua prova
e do teu sofrimento.
Quando viste na areia, apenas um par
de pegadas, foi exactamente aí que EU,
Te carreguei nos braços."

Brancamar disse...

E volto, volto todo os dias. Não tenho escrito sempre porque caio como agora de cansaço e entendo que tudo o que diga deve ser dito com lucidez e com o coração bem desperto. Por isso volto, voltrei sempre...
Agora só lhe quero deixar mais uma vez a minha solidariedade e um beijinho de amizade.
Branca

Brancamar disse...

Bom dia Isabel,

Tenho passado por aqui, várias vezes, não tenho escrito por razões pessoais, porque gosto sempre de o fazer com tempo, aprofundar o texto, conversar consigo. Não tem sido muito fácil. No último fim de semana perdi um amigo muito ligado ao teatro, que porventura poderá conhecer já que era de Vila Nova de Gaia e que homenageio no meu blog, no fim de semana anterior perdi um cunhado, mas nada se compara à sua perda, por isso não será tanto assim uma justificação para não escrever.
Logo voltarei com mais calma, agora estou de partida para o emprego e queria só deixar-lhe um beijinho.
Branca

Brancamar disse...

Voltei para ler com mais serenidade os versos do Jaime e os outros textos em perfeita sintonia.

"E que eu sinta neste Azul intenso
A imensidão do teu olhar"
MB

É imensamente lindo este sentimento.

Beijos
Branca

Anónimo disse...

Cracking piece

Isabel Venâncio disse...

Jaime, MM, Manuela, Branca, anónimos, é tão bom saber que, de longe, con(sentem) que eu chore, em voz alta pelo David.
Vivemos num tempo em que a dor, a morte, o luto e o sofrimento são repudiados... Não se pode falar a não ser do sucesso, da política, das viagens. Quem não entra nessa onda, é ave agoirenta, está out.
Felizmente, tenho muitos amigos que conheceram e foram também amigos do David e ouvem-me e deixam-me chorar.
Sabem da gratidão que sinto pelo silêncio deles.
Também os meus amigos virtuais têm sido muito importantes para mim.
Serão sempre e estou-lhes grata por toda a ternura que me dedicam, ao oferecerem-me um bocadinho do seu tempo.
Obrigada a todos
Um beijo
Isabel

Anónimo disse...

I am in accordance completely...

Anónimo disse...

Thankfully some bloggers can write. Thanks for this read!

Anónimo disse...

I believe you are right completely!