14 setembro 2008

Em espiral




Regressos contínuos...
Ando em busca de um tempo perdido mas presente.
Os aviões passam, lá no alto.
Todos regressam de Barcelona. Lá dentro, vimos nós, de olhos vazios e mãos inertes.
Pedimos que nos seja concedido tempo. Queremos mais um bocadinho de tempo.
Queremos respirar o sol de Moledo.
Queremos ver o mar.
Queremos poder, ainda, ter um brilhozinho de esperança, no olhar
Ainda é cedo para nos despedirmos de nós.
Ainda é cedo para fecharmos o coração.
Ainda é cedo para encerrar o livro e deixar folhas em branco.
É cedo para o silêncio.
Mesmo inundado de lágrimas, o tempo é sempre tempo de mais um olhar terno.
De mais um apertar de mãos.
Tenho saudades das tuas mãos; sempre as mãos e o sorriso.
E a música!
Saudade desse tempo inundado de lágrimas...





PENSAMENTOS SOBRE O TEMPO


Vós viveis no tempo e o tempo não conheceis;
Do que sois e onde estais, vós, homens, não sabeis.
O que sabeis é só que num tempo nascestes
E que haveis de partir num tempo, tal viestes.

Mas o que foi o tempo que em si vos deu guarida?
E que será esse Outro que de vós fará nada?
O tempo é tudo e nada, o homem a ele igual;

Mas sobre o tudo e o nada a dúvida é geral.

O tempo morre em si, e de si renasceu.

Um vem de mim e ti, outro és tu e sou eu.

O homem é no tempo, este nele também,

E no entanto o homem, quando ele fica, vai.

O tempo é o que vós sois, vós sois o que o tempo é,
Mas bem menos sois vós que aquilo que o tempo é.

Ah, viesse aquele tempo em que tempo não há,
P'ra nos levar do nosso para os tempos de lá

E a nós de nós mesmos, para podermos ser

Iguais àquele tempo que já deixou de o ser!


PAUL FLEMING (1609-1640)
0 Cardo e a Rosa - Poesia do Barroco Alemão

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