29 setembro 2008

azul


Creta, o rapazinho da direita

Sabes, David, vou ver o teu mar azul.
O teu mar de Creta, as oliveiras milenares e Poseidon.
É estranha esta sensação de ir a sítios da tua eleição.
Dizias que lá irias muitas vezes.
E levarias a Olga.
É estranho e há um aperto no peito...já de saudades.
(Saudades de quê, se não estás aqui?)
Por não poderes ir.
Por não veres Zeus, lá no alto do monte.
Por não poderes relaxar, à noite, num bar à beira da água sempre quente.
Por saber que, desta vez, não trago um CD de bouzuki (?).
Desta vez, não trago mel, ... nem Ouzo.
Desta vez, não trago o azul do mar Egeu nos olhos.
Os meus olhos cansados estão repletos do azul das lágrimas da saudade.



2 comentários:

Brancamar disse...

Saudade Isabel, saudade mas também vida, tanta coisa bela que vejo viveu com o David. E que belas recordações! Seria mais pesado se não fossem belas, mas são, quer do ponto de vista físico, dos lugares e espaços que percorreram, quer do ponto de vista da vossa relação onde a beleza imperava.
Hoje marquei os bilhetes para o espectáculo de 17 de Outubro. Não queria correr o risco de esgotarem. Lá nos encontraremos.
Beijinhos
Branca

Anónimo disse...

O seu mal não tem cura, amiga Isabel.
Ninguém se cura da morte de um filho, mesmo tendo 10.
Todos são aquele, o tal...
Acho que a verei nesta casa, durante anos.
Invejo a sua forma de conjugar a sua vida, com a vida do seu filho Sérgio, da Carla, do seu pequenino neto, da família e, sempre, do Manel.
Admiro a sua forma de saber conjugar a sua vida com a sua saudade e morte do David.
Não é um amor de mãe qualquer.
É um amor de mãe que permanece intocável, para além da morte.
Acho que lê-la é conhcê-la e quase vê-la.
É tudo tão sentido!
E, no entanto, tão discreta.
Obrigada.
MJ