21 agosto 2008



Moledo, Mar,...o David à espreita.
É tudo o mesmo caminho; feito de pedras, de areia branca e de verdura do Minho.
Não há um intervalos de tempo entre tudo (que és tu) e eu, nestes dias estranhamente agitados. Transporto-te (invisível e silencioso) em todos os passos, todos os gestos, todo o sentir.
Não disfarço; é mesmo assim que existo - uma parte de mim segue o teu caminho, em paralelo.
Não se regressa.
Não finjo.
Estou bem, embora não esteja.
Não quero que seja de outro modo.
Se acaso, me desvio ou me esqueço de fechar esse recanto onde existimos, ao acordar, uma lágrima logo vem, de mansinho, embaciar-me o olhar.
Recolho-a e guardo-a porque te pertence, invisível e silencioso, numa presença constante.
E, a cada dia, reinvento passos e caminhos, palavras feitas de vento norte, de rochas escuras e de areia branca molhada por ondas salgadas, onde te derramas.
É por aí que andas.
Moledo, Mar, David.
Mãe.

4 comentários:

Anónimo disse...

Moledo, Mar, David, Mãe.

Se alguém duvidava da capacidade de amar, da mesma forma, depois da morte...a Isabel é a prova do contrário.
É a prova da dor imensa e constante de perder um filho.
È a prova de que, quando se é MÃE, é mesmo para sempre.
É a prova de que o amor de MÃE não tem barreiras.
É a prova de de um coração de MÃE não tem barreiras nem se submete à morte.
Admiro-a pela sua coragem.
Admiro-a pela sua fragilidade que se torna força.
Admiro-a pela sua força tão frágil.
Admiro-a por ser capaz de viver e amar cá e lá; sem que o amor de um filho se sobreponha ao do outro filho e, agora, um neto.
Obrigada.
MF

Carecaloira disse...

A saudade é uma dor interminavel.

Um beijinho muito grande
Marina

Anónimo disse...

Atiramos beijos.

Pesamos e compadecemo-nos das nossas próprias dores.

Prometemos consolação
vestidos de Infinito, no fundo dos corações solitários e solidários.

Afinal somos sempre assim tão pequenos e tristes?!

A Isabel tem mais força do que nós todos juntos, um pouco de rocha um pouco de sal, muita terra e tanto mar!

Uma senhora do Norte.

Hoje choveu aqui pelo Sul.

Manuela Baptista
Estoril, 21 de Agosto 2008

Ana Cristina disse...

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade."

Carlos Drummond de Andrade

1 beijo.Nini