16 junho 2008

Para além da insónia


As minhas noites iluminam-se como palcos, quando me deito e a luz se apaga.
O actor principal permanece, ali, quieto e paciente ...até que o chame.
Levanta-se, então, de mansinho e vem, pé ante pé, convidar-me para dançar.
E eu levanto-me, devagarinho...



(Salvador Dali)

No campo, são as mesmas árvores;
no
céu, são as mesmas nuvens.
Outras árvores
caíram, outras nuvens passaram;
mas
o campo é o mesmo, e o céu não
mudou.
A sua natureza é esta: permanecer

dentro da própria mudança.

O homem que aqui esteve, porém, já

não é o mesmo. Quando olha para as árvores

que mudaram a folha, e para o céu onde

as nuvens sucedem às nuvens, não se

reconhece. O tempo do homem não se

renova, nem a natureza lhe ensina

como ser o mesmo quando tudo muda.

Por isso, o homem deita as árvores

abaixo, não olha para o céu, e anda em

frente como se o campo lhe pertencesse,

e não às aves que se abrigam entre

as folhas. O tempo do homem é não saber

do tempo, nem ouvir o canto das aves que

pertence a este céu que já não existe.


Nuno Júdice

2 comentários:

Anónimo disse...

O tempo do homem é perceber o sentido da Vida.Que a sua natureza é imperecível para além da própria mudança.Que,cada um de nós,tem um corpo,mas que esse corpo é apenas um dos vários veículos transitórios da sua alma perene.António

Ana Cristina disse...

É preciso acreditar...
Já quanto aos sentimentos basta deixá-los fluir e isso acontece sem qualquer esforço porque a dor é imensa .. ainda!?
1 beijo.
Nini