08 abril 2008

Artigo do Público sobre o cancro

Há grandeza na vida. Há grandeza na morte.

O Público dedica, hoje, duas páginas a curtas metragens sobre pessoas que tiveram cancro e sobreviveram.
Aí se fala da forma como as pessoas reagem à palavra "cancro".
Aí se dá a palavra àqueles que passaram por essa experiência de vida.
Aí se apela à coragem necessária para enfrentar e vencer esta doença; e nunca cruzar os braços.

E quem dá a palavra aos que foram atingidos por um cancro, viveram... e não sobreviveram?
Quem revela a "boa e benéfica atitude" de viver com esses cancros que não cedem?
Quem revela essas pessoas que dão uma grande lição de vida aos que ficam, ... mas que partem.
Alguns são bem jovens, em início de vida.
Não puderam dar o seu testemunho porque estavam, corajosa e teimosamente, empenhados em viver, em sobreviver e nunca se resignaram a uma sentença de morte.
Quem fala por eles e mostra a sua determinação?
O David Sobral viveu teimosamente e com uma força desmedida, sem lamentos e sem queixas.
Valeu a pena? Acho que sim.
Agigantou-se e foi, mesmo assim, feliz duma certa maneira.
Foi a minha maior lição de vida.
Os papéis invertaram-se; foi a mãe quem aprendeu com o filho.

Na história de vida que imaginei para mim, ficariam os meus filhos com recordações (espero que boas...) da mãe que partira. E falariam de mim aos meus netos.
Cabe-me falar do David; cabe-me não o deixar morrer enquanto eu viver; cabe-me dá-lo como um exemplo de vida.

No Público, um dos "entrevistados" diz que o cancro pode ser entendido "não como um fim".
Às vezes, é, mesmo, o fim!
Mas, também, nesses casos, se pode aprender a viver.
As frases e poemas de despedida ao David são um livro aberto. Foram escritas no dia 19 de Março de 2007.
Passá-las-ei para aqui, embora eu saiba que é para mim que escrevo... Para aprender a viver!
Melhor do que eu, essas sentidas mensagens mostram a grandeza e a generosidade do David. SEMPRE!
Meu Amor
Serás sempre o meu David e mais ninguém irá preencher este espaço que tão bem ocupaste. Amar também é deixar ir, respeitando o tempo de cada um, mesmo que esse tempo seja tão injusto.
Obrigada por tudo o que me deste, durante este último ano da tua vida.

Com muito amor e saudade.
Do teu anjo, que nada conseguiu fazer para te "prender" a esta vida.









1 comentário:

Anónimo disse...

A Diana dizia sempre que o David ia ficar bom, que a medicina ia salvá-lo, que ele era forte e que não o iríamos perder.
A Diana nunca acreditou que o "primo sonhador e sensível" pudesse morrer com um cancro; "os médicos vão encontar um tratamento"- disse-me ela tantas quantas as vezes em que me sentia desistir.
A Diana nunca acreditou, nem mesmo quando a empurraram para fora do quarto do Hospital de Stº. António onde, no intervalo das aulas da faculdade, tinha ido dar um beijo ao primo... que parecia já flutuar no espaço entre o aqui e o infinito.
A Diana continua a recordar o David como o encontrou na cama do Hospital no dia 18 de Outubro de 2007 e agradece-lhe ter esperado por ela para um último beijo.
Tem sido difícil para ela lembrar-se do nosso David saudável, feliz, irónico, misterioso , sonhador inteligente, meigo e frontal.
Só tu lhe poderás contar como era o teu querido David .. hoje pelas palavras que aqui escreves, mas sempre com a esperança de te ouvir um dia partilhar, com a tua afilhada,quem era o David e as experiências maravilhosas que viveste ao lado dele.
No quarto da Diana ficou a última fotografia tirada na cama brasileira que pendia no sótão da nossa casa em Cascais, onde o David descansou por uma noite, na viagem para um último espectáculo da Maria João no Verão algarvio de 2007.
Ainda tomou banho na piscina com a Olga e quando nessa noite antes de se deitar lhe perguntei se teria frio na cama, ele respondeu-me com o brilho e sorriso no olhar que só ele tinha:" Oh Nini!, achas que vou ter frio ao lado de uma mulher quente como esta". ( a Olga tinha acabado de entrar na casa de banho e ele deixava-se cair na cama depois de beber um dos frasquinhos do Sr. António).Também eu preciso recordar e partilhar todos os momentos porque a dor é insuportável e não O quero esquecer nunca.
Beijos.
Nini