30 março 2008

Os dias passam


Mas não passo pelos dias. Todos me parecem iguais e cada vez mais longos.
Durmo até tarde para que durem menos...
Mais umas férias da Páscoa passaram e não sinto que sejam férias. De quê?
Anda tudo desfocado.
Dizem-me que me devo esforçar por esquecer.
Não percebem que esse esforço me leva a pensar ainda mais em ti!
As imagens, que tenho sempre presentes, são demasiado intensas e impossíves de desfocar. Surgem em contínuo rodopio.
Portanto, não faço esforço nenhum. Aguardo.
Vivo porque se vive automaticamente, sem pensar como é viver.
E penso em ti, porque pensar me leva sempre a ti.
Não há saída de emergência...
Espero um sorriso de criança que não olhe para os meus olhos inchados de chorar.

Mas há sempre um poema.


Tarot

Venho dizer-te, por fim,
na periferia das cidades inventadas,
que no livro desta geografia se lê apenas
uma página,
onde alguém descreveu a dolorosa hora
dos naufrágios.
Grito ainda,
com a rértia de ar concedida aos meus
pulmões,
grito o primeiro nome dos homicidas do
amor.
Procuro, em vão,
o cristal ardente que na garganta me
torturou,
frase após frase,
destruindo a bondade e a luz que os
deuses me tinham destinado,
quando as mãos lançaram as cartas sobre
a mesa.

José Agostinho Baptista

1 comentário:

cusca disse...

Sendo triste, este local não deixa de ser um espaço muito bonito.
Depois de algumas lágrimas, apetece-me escrever ao David aquilo que escrevi no dia em que ele embarcou no mar de Moledo em direcção à estrela que este Verão se verá, bem alto, lá no céu.

Dabidinho,

tantos momentos facilmente recordo..
Uma visita guiada a um sótão com prateleiras preenchidas de CD,
uma longa conversa à noite no shopping,
umas festinhas ternurentas e doces numa barriga em aperto,
"os melhores restaurantes e refeições de sempre",
o grito da baleia,
passeios no "paradão",
um fim de tarde na praia com o mar como horizonte,
escolher filmes no vídeo-club, ...
Há pessoas que marcam!
Com força e coragem inimagináveis,
com peculiaridades tão especiais.
Pessoas como tu que subsistem e continuam bem vivas na memória!

Ainda há um par de dias (1 Novembro - Seu Jorge na Casa da Música), luz, música e samba bastaram para te trazer para o meu lado por umas horas.

Com muitas saudades da tua "cunhadita", irmã de coração,

Carla